4 de junho de 2010

poeira


O sol voltou a pôr-se e já lá vão uns dias
Que acabo por não vê-lo entregue a noites frias
Há sempre tanta coisa que no fundo não se entende
E há sempre tanta vida nas vidas de tanta gente...
Esperei por ti mas nunca vieste, apanhaste muito trânsito
É, neste mundo é mesmo assim, impregna as almas de pânico
Vi-me obrigado a ensinar-te o que tinha de aprender
É, nem tudo o que se perde é deitado a perder
Há quem sorria na morte e há quem morra a vida inteira
Mas no fim de contas é tudo poeira....
E nada acontece como se espera...
E é então que descobrimos
Que não somos já nós próprios
Tornámo-nos mais uma
Entre as outras fotocópias....
E no fim de contas é tudo poeira
Aprendi a não ser amo quando me tornei teu escravo
Apesar de ainda ser tudo, tudo isso ao fim e ao cabo
Só que agora já sei bem o que vale um homem livre
É, sei que a vida não vai ser nenhum sonho que eu tive
Escrevi-te alguns poemas mas arderam na fogueira
Sim, no fim de contas é tudo poeira
E até era bom acreditar no que o teu amor me deu
Mas todas as noites adormecias primeiro que eu
Há sempre alguém a quem não damos devido
A alguém a quem demos demais
Temos tendência a confundir o mundo inteiro
Com os nossos pais...
O sol voltou a pôr-se e já lá vão uns dias que eu não te encontro,
Que tu não me arrepias
Um dia hei-de dizer-te cada uma das verdades
Que me entopem a mente e me enganam aos bocados sim...
Chega um dia em que é preciso avançar por outra estrada
Sem esperar de nenhum ser absolutamente nada

jorge cruz



Nenhum comentário:

Postar um comentário