O sol voltou a pôr-se e já lá vão uns diasQue acabo por não vê-lo entregue a noites friasHá sempre tanta coisa que no fundo não se entendeE há sempre tanta vida nas vidas de tanta gente...
Esperei por ti mas nunca vieste, apanhaste muito trânsito
É, neste mundo é mesmo assim, impregna as almas de pânico
Vi-me obrigado a ensinar-te o que tinha de aprender
É, nem tudo o que se perde é deitado a perder
Há quem sorria na morte e há quem morra a vida inteira
Mas no fim de contas é tudo poeira....
E nada acontece como se espera...
E é então que descobrimos
Que não somos já nós próprios
Tornámo-nos mais uma
Entre as outras fotocópias....
E no fim de contas é tudo poeira
Aprendi a não ser amo quando me tornei teu escravo
Apesar de ainda ser tudo, tudo isso ao fim e ao cabo
Só que agora já sei bem o que vale um homem livre
É, sei que a vida não vai ser nenhum sonho que eu tive
Escrevi-te alguns poemas mas arderam na fogueira
Sim, no fim de contas é tudo poeira
E até era bom acreditar no que o teu amor me deu
Mas todas as noites adormecias primeiro que eu
Há sempre alguém a quem não damos devido
A alguém a quem demos demais
Temos tendência a confundir o mundo inteiro
Com os nossos pais...
O sol voltou a pôr-se e já lá vão uns dias que eu não te encontro,
Que tu não me arrepias
Um dia hei-de dizer-te cada uma das verdades
Que me entopem a mente e me enganam aos bocados sim...
Chega um dia em que é preciso avançar por outra estrada
Sem esperar de nenhum ser absolutamente nada
jorge cruz


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