12 de maio de 2009

De mim só o ser



Parto-me
Saio da barriga,,
Eu, minha mãe, minha filha, sinto as dores e a sensação indescritível de gerar e nascer.
Re nascer.
Re descobrirei...
Meus nomes, minhas cores.
De mim só o Ser.

Parto-me
Amanhã não me rasgarei e não me pintarei de alegria só para que acredite nela.
Se pudesse, também te partia e depois te colava de um modo cubista, todo desencontrado.
Te pintava de verde, de azul, de púrpura.
Te colocava nariz de palhaço, sorriso de criança e olhos de estrelas.
Re criaria!

Parto-me
Vou pra o outro lado da calçada, da Lua.
Vou pra longe,, e que esse longe não se torne perto.
Vou querer mais...
Vou querer você,, e vou negar.
Re negar!

Parto-me
E ponho você no mundo,
Parto-me
E atravesso a rua,
Parto-me
E as lágrimas molham o papel e te vejo abrir o guarda-chuva.

Parto-me
Pra ti colocar no mundo
Pra perder o medo do escuro
Pra vida ser bem vinda
Pra você rir, pra você cantar

Parto-me
Pra ser criança
Para o Re nascer,
Para o Re criar,
Para o Re descobrir...
Para o Re negar dores.
E quem sabe um dia
O Re amar!

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